Porquê isso acontece? E qual é a solução pra quem sofre desse mal?
Uma vez uma amiga minha passou meses chorando na minha cabeça, reclamando das agressões do namorado e da falta de consideração que ele tinha com ela (desrespeito, rejeição, traição, etc). Diante da situação, eu não poderia aconselhá-la a fazer outra coisa senão largá-lo. E era o que eu fazia. Mas ela nunca largava. Todo dia arrumava uma desculpa diferente, e aquilo foi me cansando (tanto a mim quanto aos outros amigos dela que ficavam indignados com tudo que ela relatava). Acabou que ficaram juntos e a gente acabou se afastando. Anos depois nos reencontramos, e fui conversar com ela sobre o assunto. Aí ela me falou que eles haviam se separado e que ela já havia conhecido outro homem e eles haviam casado e ela já tinha até filho com ele, etc e tal. Aí perguntei sobre a época que os dois estavam juntos (ela e o ex-problemático), e de onde ela tinha tirado coragem para largá-lo depois de tudo de ruim que ele fez e ainda fazia pra ela. Quando falei isso, ela deu uma risadinha (tipo de quem ficou sem-graça) e me falou que no fundo ele nunca havia feito nada de mal pra ela. Que ele sempre foi um anjo pra ela, mas que era ela quem infernizava a vida dele. Mas que ela tinha um ciúmes muito doentio dele, batia nele, quebrava as coisas dele, deitava com outros homens e contava pra ele (pra poder atormentar a consciência dele), e esse ciúmes doentio que ela sentia dele fazia com que ela tivesse uma visão totalmente distorcida da realidade dos dois. E era justo quando ela vinha até nós e nos contava a VERSÃO DELA de toda a história. Aí eu virei e perguntei a ela: "Então nada daquilo foi verdade??" - Ela respondeu algo como: "Na minha cabeça, era." - Ou seja: ela criou uma imagem dele que não correspondia com a realidade, e ela mesma passou a acreditar naquela "verdade" que ela criou. Todos nós sentimos repulsa do namorado dela durante anos a fio, e tudo isso pra quê? = pra no final a gente descobrir que no fundo ELE foi a verdadeira vítima da história toda, e não ela.
Houve um outro caso de uma conhecida minha que tinha reclamações semelhantes: dizia que era humilhada, rebaixada, apanhava, etc e tal. A gente fazia o que podia: aconselhava ela a abandoná-lo. Ela custou mas conseguiu sair fora. Anos depois viemos a saber (através dos vizinhos dela) que o que ela nos contou não correspondia com a realidade dois dois, pois a realidade era BEM PIOR do que tudo que ela havia nos contado. Por exemplo: ela nunca nos contou que ela estava grávida e num surto de ciúmes o namorado "desconfiou" que o bebê não era dele, e a espancou até ela abortar. Ninguém sabe porquê ela não deu queixa. Os vizinhos não quiseram se meter. Na outra vez ele espancou ela na frente da rua toda. Até que um dia os próprios moradores perderam a paciência e ameaçaram linchá-lo. Pouco tempo depois eles terminaram e ela voltou a viver em paz.
Neste segundo caso, aconteceu o contrário de cima = ela não nos contou a "versão completa" da história. A versão real era muito pior do que aquela que ela havia nos contado....
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Quando nos deparamos com uma situação à qual a pessoa vem até nós para "desabafar" sobre algo, nos deparamos também com as seguintes possibilidades:
1. Dela estar falando a verdade;
2. Dela estar mentindo pra menos (omitindo fatos);
3. Dela estar mentindo pra mais (aumentando fatos);
♦ No primeiro caso, fica "fácil" dar opinião sem ser injusto.
♦ No segundo caso, corre o risco de você ser injusto.
♦ No terceiro caso, corre o risco de você pagar de otário.
E aí, como saber quando é o primeiro, o segundo ou o terceiro caso? A resposta é = Não tem como saber! Talvez você nunca saiba! Por isso que se diz que "em briga de marido e mulher não se mete a colher", pois só eles, apenas eles, é que sabem o que acontece de verdade entre eles. - Mas mesmo assim a gente sempre acaba dando uma opiniãozinha, mesmo sem perceber (ou percebendo, que seja!).
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Existe um outro caso também que merece destaque, aqueles casos onde a pessoa não te pede nenhum conselho em específico: ao invés disso ela chega até você e te diz abertamente que ela está ciente de todas as "cachorradas" por parte da outra pessoa; te diz que não está feliz com a outra pessoa; te diz que a pessoa não presta e que não merece a consideração dela; te diz que a pessoa é falsa e que a faz sofrer; mas que apesar disso tudo, ela (a vítima) não consegue abandonar a outra pessoa (o agressor emocional).
Situação estranha, né? Mas acontece com muito mais frequência do que a gente imagina. E aí? O que fazer quando isso acontece? O que dizer a uma pessoa dessas? Quais conselhos dar a ela?
Tomando por base que as informações sejam verdadeiras (que a pessoa realmente esteja sendo vítima e que o outro realmente não a mereça), então as únicas explicações para tal situação seriam as seguintes:
1. Comodismo → Encabeçando a lista, essa triste palavra (comodismo) é a responsável por dezenas de milhares de casos que poderiam ser facilmente resolvidos, mas não o são porque a pessoa, num impeto de desânimo, prefere continuar levando a vida atual - mesmo que sofrida - ao invés de abandonar tudo e recomeçar do zero. O comodismo é uma das maiores causas de aceitação de abusos por parte das mulheres (agredidas em seus lares), só pra vcs terem uma idéia. E o mesmo acontece com as mulheres agredidas emocionalmente: muitas vezes elas estão infelizes, tristes, deprimidas... mas elas já acostumaram com aquele determinado homem X em sua vida, e dentre abandonar tudo aquilo (que já dura anos e tal) e começar do zero, e continuar naquela situação por desânimo de recomeçar, ela opta em continuar naquela situação.
2. Falta de amor-próprio → Existem pessoas que sentem um prazer inconsciente no sofrimento. São aquelas pessoas que costumamos dizer que "gostam de sofrer". Elas sentem uma dependência no sofrimento, então elas optam (não por comodismo, mas por distúrbio mesmo!) a continuarem naquela situação, pois ao mesmo tempo que aquilo lhes faz mal, também lhes faz "bem".
3. Medo de se arrepender → Tem pessoas que mesmo tendo todos os sinais à sua frente (maus-tratos físicos ou emocionais, falta de respeito do companheiro, falta de amor, solidão, tristeza, etc), ainda assim a pessoa (por estar desorientada) é tomada de pensamentos como: "...e se eu terminar com ele hoje, e amanhã descobri que fiz uma besteira e vier a me arrepender?" - Então a pessoa fica com medo (medo dela mesma estar enxergando algo errado - "às vezes ele não é tão mau assim") e se recusa a separar dele (apesar dela mesma dizer que não está feliz). A pessoa não se separa por medo de se arrepender.
4. Medo de ameaças→ Tem casos que a pessoa não termina por um outro tipo de medo: medo de ser prejudicada, ferida ou morta caso vier a terminar.
5. Chantagem emocional → Tem gente que é especialista nessa arte: a de chantagear! Tem mulheres que estão extremamente infelizes com seus homens, mas aquele homem, apesar de fazê-la infeliz, ainda faz a mulher se sentir culpada por tudo que acontece (já falamos sobre isso, são os famosos SOCIOPATAS). Por mais certa que a mulher esteja, e por mais errado que o cara esteja, ele vai conseguir convencê-la de que ela está errada e que a culpa é toda dela. Por esta razão ela evita se separar dele, mesmo estando ciente de que não está feliz (ele convence a mulher a não se separar dele).
6. Cegueira → A mulher está cega! Cega de paixão, cega por falta de experiência, cega por razões de fraqueza, ou cega porque simplesmente se recusa a enxergar... mas ela está cega! Não consegue (ou não quer) ver a realidade como ela é. Por causa disso, ao mesmo tempo que fala mal do homem ela aceita continuar sofrendo nas mãos dele. A hora que ela enxergar, ela sai fora.
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Qualquer sofrimento excessivo é um nítido sinal de que devemos abandonar aquela situação e partir para uma situação nova. Sofrimento habitual é comum. Sofrimento excessivo, não! Quando um relacionamento chega num determinado grau (elevado) de desrespeito e infelicidade, aquilo se torna irreversível: nunca mais irá voltar a ser o que era antes. Isso eu garanto! É regra sem exceção!
Isso significa que de duas uma: ou você irá viver infeliz pro resto da vida ao lado daquela pessoa, ou então você irá se separar dela mais cedo ou mais tarde.
Aí te pergunto:
Pergunta 1. Viver infeliz pro resto da vida: é isso que você quer pra sua vida? Não? Então isso significa que vc irá se separar. Vamos então para a próxima pergunta:
Pergunta 2. Se vc vai se separar mais cedo ou mais tarde, então pra quê adiar o inevitável? Se separa agora de uma vez que o sofrimento vai ser muito menor (e você irá superar muito mais rápido!).
SOFRIMENTO NÃO É ALGO QUE DEVE SER ADIADO: SE VOCÊ VAI SOFRER DE QUALQUER JEITO, ENTÃO SOFRA "AGORA". O SEU DIA DE AMANHÃ (TAMBÉM CHAMADO DE "SUPERAÇÃO") IRÁ TE AGRADECER ETERNAMENTE POR ESTA ATITUDE.
Uma excelente semana para todas vocês,
Carpe Diem!

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