Como agir quando ele começa a desrespeitar os compromissos que vocês têm em comum.
(Amigas, esse caso é verídico ok?)
Mesmo sendo mulher, eu costumava me perguntar às vezes: afinal de contas, por que raios nós mulheres temos mania de achar que nossos gritos e nossa histeria vão resolver alguma coisa quando o assunto é "pisada na bola por parte dos homens"? A gente grita, xinga, dá xilique, desce do salto, e o homem fica lá, impecavelmente controlado, e nós ficamos ali posando de loucas-histéricas que se irritam por "qualquer coisinha á toa" (aos olhos dos homens, os deslizes que eles cometem conosco não são nada mais do que isso).
Após esse dilema (porquê fazemos isso) eu comecei a pensar no assunto. E comecei a ler, pesquisar, assistir programas, e comecei a me inteirar a respeito desse choque de Universos (Masculino vs Feminino). E foi justo nessa época que, coincidentemente, uma amiga minha (que estava prestes a se casar) me procurou aos prantos.
Essa minha amiga era uma das mulheres mais bonitas que eu tinha contato. Pele muito branca, perfeita, olhos muito claros (descendente de estrangeiros), cabelos muito lisos (naturais), corpo magro e torneado (parecia modelo, inclusive já foi convidada para tal), muito educada (veio de família) e muito culta (lia muito, estudava muito). E eis que esse mulherão me aparece na minha casa um belo dia (sem avisar) chorando por causa das pisadas na bola do seu namorado: um homem de aparência normal, comportamento levemente tapado-lerdo, sem nenhum atributo especial, não era muito inteligente, não era bem-sucedido, não era bonito, não era nada! Mas se sentia no direito de fazer hora com a cara da namorada, um mulherão que todos os amigos dele tentaram "pegar" e não conseguiram, mas ele foi lá e conseguiu. E só Deus sabe porquê, ao invés de dar valor a isso (pois ela estava decidida a casar com ele e tudo mais) ele decidiu fazer graçinhas e pisar na bola com ela direto, como se ele no fundo soubesse (ou achasse) que ela estava na palma da mão dele.
Atendi o portão e me deparei com ela chorando. Assustei! Eu a conhecia fazia anos, e nunca havia visto ela chorar. Convidei-a a entrar e fomos direto pro meu quarto. Tranquei a porta e fui curta e grossa, perguntei logo o que havia acontecido. Ela me disse que não estava aguentando mais o comportamento do namorado. Que ela não sabia porquê ele estava fazendo aquelas coisas, mas que ela simplesmente não sabia mais o que fazer.
Eu perguntei a ela: "...do quê você está falando exatamente? O que ele fez?..."
Aí ela me contou a palhaçada: todo final de semana, ela combinava de sair com ele (como todo casal faz nos finais de semana). Ele prometia a ela que estaria em casa às 20:00 hs. Ela se arrumava toda, passava perfume importado, arrumava o cabelo, se maquiava, e 20:00 hs ela já estava pronta esperando-o na sala da casa dela. Aí passava meia hora, uma hora, duas horas e ele não chegava. Ela ligava, ele não atendia. Quase três horas depois ele aparecia suado, cheirando a cerveja, todo animado e feliz dizendo que estava jogando uma pelada com os amigos, e quando ela questionava sobre o horário atrasado e a falta de consideração dele em não ter ligado, ele respondia no máximo "...foi mal aê". Ela ficava mal, às vezes chorava, e ele sem demonstrar sentimento algum. Ela pedia ele pra no próximo fim de semana ele aparecer no horário, e ele fazia exatamente a mesma coisa: chegava horas depois suado, sem se arrumar e fedendo a cerveja. Um dia ela tentou conversar com ele pra eles chegarem a um acordo sobre aquilo, e ele falou pra ela algo como "...ihhhh, vai começar?? Vocês mulheres são histéricas demais, vai começar a chorar por causa de uma bobeirinha dessas?..." - Ele falava isso quase que com um ar de cinismo, segundo ela. E foi num desses dias que ela perdeu a paciência e baixou aqui em casa.
Ela me disse "...eu não sei porquê ele faz isso comigo. Ele sabe que eu gosto dele, ele sabe que eu respeito ele, ele sabe que eu faço minha parte, porquê ele tá fazendo essa sacanagem comigo, me desrespeitando desse jeito sem eu dar motivos?"
Aí eu respondi: "É porquê ele tá vendo que ele pode fazer! Ele sabe que você gosta dele, ele sabe que você respeita ele, pra ele ficou tudo fácil demais. Ele, em partes, perdeu o respeito por você. É isso que tá acontecendo. Ele acomodou."
Aí que ela disparou a chorar mesmo. E mesmo sem me pedir, eu vi que ela precisava desesperadamente de algum conselho. Era pra isso que ela tinha vindo aqui em casa. Aí eu virei pra ela e falei que eu tinha um plano, mas que ela precisava fazer exatamente o que eu ía dizer. Ela disse que faria sem nem questionar, pois ela confiava em mim.
Aí eu falei pra ela: "Fulana, você vai fazer o seguinte: no próximo sábado você vai combinar de sair com ele normalmente. Você não vai tocar no assunto das pisadas de bola que ele deu com você. Você não vai nem mencionar isso. Mas você vai dizer a ele com o máximo de calma e firmeza do mundo = '...amor, eu vou estar te esperando arrumada às oito horas da noite. Se der oito e um e você não aparecer, eu vou sair. E eu não vou dizer pra onde eu vou, nem que horas eu vou voltar. Eu vou simplesmente sair."
Aí ela me falou: "Eu já sei o que ele vai dizer se eu falar isso. Ele vai começar a discutir comigo, brigar, vai falar que eu tô começando de novo com aquele papo histérico..."
Eu interrompi ela e falei: "Quando ele começar a falar, você vai cortar ele no meio e vai dizer: '...amor, essa é minha posição final. Eu não vou discutir com você por causa disso. Estou te esperando às oito horas, ok?"
E eu falei a ela que qualquer coisa que ele dissesse, que era pra ela responder sempre a mesma coisa: "... não vou discutir com você. Minha posição já foi dada, te espero aqui às oito.".
Aí ela falou: "Ele só vai chegar lá pras dez e meia, como ele sempre faz."
Aí eu respondi pra ela: "Você vai se arrumar de verdade, vai estar pronta de verdade ás oito da noite, e se der oito e um e ele não aparecer, você vai despedir da sua família, você VAI SAIR, vai vir aqui pra casa e vai ficar aqui até uma da manhã. Quando for uma da manhã a gente chama um táxi e você volta pra casa. Provavelmente ele vai estar lá te esperando, e vai ameaçar dar um escândalo quando você chegar. Se isso acontecer, vire pra ele com o máximo de calma possível e fale: '...amor, eu te disse que se você não estivesse aqui ás oito eu iria sair do mesmo jeito. Eu saí, oras!' - E quando ele te questionar aonde você foi, você vai responder: '...amor, eu te disse que não ía falar aonde eu ía nem que horas eu ía voltar. Eu cumpro com minhas promessas, eu não vou te falar aonde eu fui e nem com quem eu estava'... - Se ele começar a dar crises histéricas (e ele vai dar!) você vai responder calmamente: '...amor, chega né? Por favor...' - e vai erguer sua cabeça, vai pedir licença a ele dizendo que precisa tirar a maquiagem e trocar de roupa, vai tirar a maquiagem, vai trocar de roupa, e vai se sentar com ele normalmente e NÃO VAI MAIS TOCAR NO ASSUNTO. Se ele insistir em falar do assunto, você vai dizer a ele que você está muito cansada e que você quer dormir, e que vocês se falam amanhã. E vai dispensar ele."
Ela me disse que precisaria ser forte pra fazer isso. Eu falei pra ela que eu dava minha palavra de amiga que ela não iria se arrepender. Ela parou de chorar, me agradeceu, disse que faria isso sim e foi embora. Uma semana depois ela me liga (no sábado) dizendo:
"...amiga, são oito e um. Posso ir pra sua casa?" (ou seja, havia acontecido o esperado)
Eu respondi: "Lógico! Tô te esperando!"
E ela veio. Quando foi uma da manhã ela foi embora. Duas semanas depois ela me procurou dizendo o mega-efeito que nosso plano havia surtido. Ela fez tudo que eu aconselhei ela a fazer, e o resultado saiu muito melhor do que o esperado. Ele deu as crises de ciúmes (exatamente como a gente havia previsto), tentou inverter a situação a favor dele e ela o ignorou. No final ele ficou como o "histérico" da situação e ela como a "controlada" da história. E ela disse que na semana posterior ele chegou na casa dela sete e meia da noite ao invés de oito, e que ele havia mudado radicalmente o comportamento dele com ela (pra melhor, claro).
Depois disso ficamos meses sem nos falar (trabalho e faculdade apertaram nossos horários). Aí nos encontramos novamente uns 3 meses depois. E ela veio me contar a mudança espetacular que ele havia tido, ela me disse que ele nunca mais fez esse tipo de graçinha com ela, e que ele até passou a respeitá-la de uma forma que ele não fazia antes. Passou a dar satisfações pra ela de tudo que ele fazia, e passou a pedir permissão pra ela antes de fazer as coisas (por ex: perguntava a ela se tinha problema ele ir jogar futebol com os amigos). Ela me agradeceu até dizer chega (fiquei toda feliz) e ela me disse que depois daquilo ela compreendeu o quanto a própria mulher influencia o comportamento do homem (mesmo sem perceber). E que ela havia entendido o quão importante é a mulher saber se impor com delicadeza e sutilidade. E que ela estava segura de si como nunca havia ficado antes. E me pediu outros conselhos, e eu dei. E fiquei muito feliz em ver que tudo terminou bem.
♥
Amigas, qual lição que podemos tirar desse caso? A lição que tiramos é a seguinte: Ao contrário do que muitas mulheres insistem em acreditar (ingenuamente), a verdade é que quando um homem pisa na bola conosco, ele SABE que está pisando na bola. Sim amigas, ele SABE disso!
Aí as mulheres se perguntam: "...mas porquê eles fazem isso?"
Aí eu respondo: Por dezenas de motivos. Pode ser por pura sacanagem, por cinismo, por hipocrisia, por ser porque o cara é lerdo, pode ser porque ele é mau-caráter e gosta de ver as pessoas sofrerem por causa dele, pode ser somente pra testar a mulher, pode ser porque estão se sentindo seguros demais e devido a isso eles não valorizam mais a mulher igual antes, pode ser pra esnobar a mulher perante os amigos, existem mil razões. Mas a razão que os leva a fazer isso não faz muita diferença no resultado final, vez que a razão (seja ela qual for) não minimiza os estragos emocionais que uma mulher sofre quando é submetida a esse tipo de comportamento.
A questão não é "porquê ele faz isso", e sim "o que eu posso fazer para evitar que ele faça isso comigo?". E é nessa hora que a mulher precisa ter em mente uma bela dosagem de frieza e calculismo, mesclada ao velho amor-próprio (que nunca pode faltar) juntamente com um excelente jogo de cintura para se sobressair perante as provocações disfarçadas que eles sempre fazem (para tentar convencer a mulher que ela está histérica à toa, que o que eles fizeram não foi "nada demais"). Cada caso é um caso, mas esse caso que eu mencionei acima é um perfeito exemplo de como uma mulher deve se comportar perante uma situação dessas. E desse exemplo podemos tirar vários outros exemplos que podem ser usados em situações diferentes porém com o mesmo contexto final (o homem pisando na bola, e a mulher sem saber o que fazer).
Amigas, espero que tenham gostado de mais esse caso (100% real), que de uma forma ou outra acaba nos dando várias idéias de como lidar com as graçinhas que os homens nos aprontam de vez em quando.
Até o próximo post.
Super beijo para todas vocês,
Carpe Diem!
♥

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